sexta-feira, 1 de agosto de 2014

R E C O M E Ç O

Foi necessário o sacrifício pelo couro
que abriga e entrega a própria força eu reconheço
da proteína mãe vermelha o homem vive
quem cuida o campo esculpe o próprio recomeço.

                                                 foto Luan Marcell

Quando começamos a valer perante nossa consciência, e domamos nossos ímpetos físicos, respeitando o mundo ao redor, passamos a amar o que Deus criou para atender pelo nosso nome.

Renascer de mim... no interior de mim. Encontrar a fé no esforço físico, mental e emocional do dia-a-dia.
Não há nada melhor que agradecer os tantos tropeços que me ensinaram, ensinam e ensinarão a olhar para o chão e, levantar sem drama.  
O barro seca e cai na poeira dos joelhos, pois necessitam caminhar os que levantam e necessitam levantar os que caminham.

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Trouxe meus pais para morarem comigo nesta nova vida, estão vivos nas minhas orações a campo fora e em cada mate desta solidão curativa. Quando ato a boca de um aluno que relincha, aprendo e envelheço o eco do meu canto domador.

No livro dos elevados espíritos, a mensagem necessária e urgente que me evangeliza o amanhecer e me põe para dormir no sono da saúde.

Senhor que perdoa as minhas ofensas, eu já não percebo quem me tenha ofendido. Mantenha-me cego às minhas tentações, livrando-me, a cada minuto, do mal que me ronda.

Aos que eu escuto, benzas com ensinamentos que eu levarei aos que me ouvem.  Aos que me escutam, que eu esteja sensato e firme em palavras e exemplos para evoluir multiplicando.

Que os teus filhos que me amaram recuperem a vontade de confiar quando eu for merecedor da tua vontade e, oportunizes um sadio recomeço.
Que meus filhos de sangue e afilhados de tempo estejam filtrando o de melhor em meu sorriso, o que há de positivo em minha conduta... e eu tenha o que mereço e seja o que aprendi e elaborei para o hoje.

Nesta terra missioneira, o recomeço do teu filho que planejamos renascer: ronda o gado educando bons cavalos, respeita as chuvas e se benze em tuas laranjas amarelas de amanhã... bebe água na palma de tuas mãos de pedra doce e, avermelha-se do chão que tu chorou.

Quando começamos a valer perante nossa consciência, o Cristo ri do seu irmão que se levanta.


Recomeço

Foi necessário renascer da terra em flora
pois já foi fauna a coronilha que adormeço...
foi necessário renascer do canto antigo
e desenhar-me no carvão do recomeço.

Apelidaram Deus do campo e muitos nomes
e eu volto em arte relicário assim mereço
vou me esculpir da coronilha irmã da terra
pagar a guerra em voluntário recomeço.

Renascer em mim...

Foi necessário o sacrifício pelo couro
que abriga e entrega a própria força eu reconheço
da proteína mãe vermelha o homem vive
quem cuida o campo esculpe o próprio recomeço.

Se pela arte, onde evocara-me, ressurjo
da terra em fauna e flora a voz – sim – amanheço
desenho a imagem de esculpir-me do silêncio
num Memorial... Terra que Canta em RECOMEÇO.


Renascer em mim...
                                  no interior de mim...
                                        
                                             reler a fé de onde vim.


Quando começamos a valer perante nossa consciência,
 e domamos nossos ímpetos físicos,
 respeitando o mundo ao redor,
passamos a amar o que Deus criou
para atender pelo nosso nome.






       foto Gabriel Amaral
31 de julho de 2014


Mato Fundo -Maçambará-RS - 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O ÍNDIO VOLTA A SUA TRIBO A FLECHA SEGUE NO AR

           foto Aline shimit

Baseado na Obra de meu Mestre Osiris Rodiguez Castillos em seus versos De Corrales a Tranqueras. 

Escrevo novamente neste espaço, dando um saludo aos leitores que acompanham minha caminhada. Pedindo desculpas pelo passageiro abandono e desejando luz. Cada qual em sua cruzada.

Refletir é estudar seu íntimo em busca da renovação.

Nunca importará o tempo perfeito se as correções foram cruzes leves empurradas pelas coincidências sem esforço.

Cada qual com suas léguas - nos vale sim  - CAMINHAR.

O índio volta à sua tribo a flecha segue no ar.




E de Bagé a São Borja
“Quantas léguas quedarán?”
Dizem que são muitas léguas
Já não me importa contar.

Nasci pra ser canto ao vento
Ter sonhos para cantar
Por isso já não me apuro
Meu tempo manda rezar...

Para os amigos que ficam,
Para os amores que vão...
Batizados de coragem
E ao trote além coração.

E no más tudo é meu canto:
“água, tierra e vento em jus
Pelos caminhos que chamam
Palavra em sonho de luz.

Batizado em sol de de Osiris
Benzido em alma de Eron
Que Jesus Cristo em seu manto
Prepare o tempo e seu tom

De Bagé, sigo a São Borja.
As léguas não vou contar
Pois só nos vale o bom tempo
Depois que o tempo passar.

Lisandro Amaral

23 de janeiro de 2014 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

É Um Fortim Zaino Queimado


Bom dia Pátria do Tempo
Sentinela dos bons Ventos
Destes Veríssimos feitos
Muitos foram nas fileiras
Alguns levaram bandeiras
E vários foram eleitos...

E o que pensar do meu zaino
Que igual a tantos estava
Nas fileiras Cambará
É um fortim Zaino queimado
E um Tempo imortalizado
Que o Vento pede e lá está.

Foi reculutado nos campos
Da amizade e da confiança
E agora imprime esperança
Nas grandes telas da Terra
Ao Seu Eduardo Loureiro
Vou regalar meu sombreiro
Couro de Paz e de guerra.

Ao Capitão grito alerta
Como seu fiel escudeiro.
Sabe que aqui no meu pago
Sorvemos muitos amargos
Mas se nos chamam – lá estamos –
Somos os zainos queimados
Olhar de tempo empilchados
Pelo Rio Grande que AMAMOS.

Tenho uma espada à parede
Olhar guerreiro com sede
E um chiripá que é uniforme
Um zaino recuperado
Dos bons tempos de soldado
Nas fileiras Cambará
Veríssimo filho do Vento
Zaino queimado de Tempo
Clarim que espera AVANÇAR.

Neste tropel de infinito
Galopeia o olhar bonito
De um bom cavalo de guerra
Minha singela homenagem
Aos redomões da coragem
Que o tempo os guarde com festa.
E a ti, Guerreiro pinhão,
Fica a saudade que resta
Brilhante estrela na testa
Que alumbra um bom CAPITÃO.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Obrigado ao Tempo dos Ventos


        
       







APÓS 3 MESES DENTRO DA VIAGEM MAIS LONGA DA MINHA VIDA... Onde estivemos em tempos que o vento nos levou. Conheci que realmente, o ser... “sua mente e corpo” nunca terão limites.

        Desafios dentro do desconhecido, do inesperado e do improviso.

      Não sei qual será o resultado do detalhe que os críticos encontrarão em nossos animais e arreios. Isso não nos interessa agora E NUNCA.
Penso que o Tempo e o Vento não será um documentário cultural e sim um passo universalizando nosso mundo diferente e, por si, verdadeiramente integrado à natureza.
     
      Aos cavalos que tranquilamente pastam nessa noite fria, aos bois mansos, mulas, ovelhas e aves barulhentas contratadas e às que quebraram o silêncio musicando - sem contrato - o mundo de Érico Veríssimo... muito obrigado.
     
     Aos amigos que se enfileiraram como soldados no meu exigido exército da equipe de produção de animais. MUITO OBRIGADO.
Jamais teria chegado ao fim sem todos que aceitaram estar comigo pelo ideal e não pelo dinheiro e flashes.
   
     A minha chefe KiKa Moura: entre pedras e espinhos conseguimos!!!
   Aos atores e direção que entenderam minha ligação com estes animais e perceberam que nossa língua - aqui no sul - é a mesma do som dos ventos do campo.


Aos proprietários de animais cedidos à nos: gracias mil.

Ao Maestro Alexandre Guerra meu aplauso de cantor.

Aos diretores Jayme Monjardim e Afonso Beato meu reconhecimento pela postura educada e compreensão de meus limites.

Ao Diego, Siane, Zeca,  Adriana, Jussara e Frederico meu pedido de desculpas pelos arreios virados do índio bruto que o tempo lapida aos poucos...

Aos que passarem aos seus filhos que estivemos lá por um ideal OBRIGADO.

Ao Júlio, Flavio, Minga, Adriano, Edu, Vaz, Nico, Guilherme, Joaquim, Falcão, Eron,  Claudio, Ronaldo, Aloisio, Luciano, Silvério e Fernanda, Lula e

todos . SEM PALAVRAS


QUE VENHAM OS PRÓXIMOS – ESTAREMOS DE CHIRIPÁ E PANÇA-DE-BURRO NO PEDESTAL DO TEMPO.






















sábado, 7 de setembro de 2013

Isso sim é PATRIOTISMO







Cara aberta aos que respiram Folclore.

No ano de 1995, quando conheci Guilherme de Araújo Collares,  folclore para mim era apenas o que ouvia e respirava minha infância nos contos dos domadores e, o que me fervia a alma pela melancolia índia de Noel e Cenair ... aliadas à soberania payadoresca de Jayme.

Fui manipulado positivamente pelos seus conselhos de TERRA e entendendo, passo após passo,  o que ele queria e quer dizer quando se refere a folclore ou folklore.  Um misto de necessidades  - como água e luz -  e uma enlouquecida gana de cantar o que poucos cantam onde poucos ouvem.

Minhas fugas imaturas do compromisso que temos com o folclore de hoje para o amanhã nos tumultua a caminhada.  Sou como um pássaro que voa com asas de planar e alegria equestre. Necessito e me alimento do folclore índio na melodia dos cavalos,  meu irmão, folclorista nato, me aguarda desencilhar as inquietudes.

Tu me esperas sempre para a comunhão da composição fundida de nossas mensagens que alimentam mais aos outros que a nós mesmos.

Somos sabiás andarilhos dos céus de todos os nossos..

No meu “diário  mensal e muitas vezes trimestral”  de andante, não poderia deixar de comentar e divulgar   tua melhor composição.

Folklore 4   é a união dos 4 elementos fundamentais do canto de eternização de quem é TERRA:

Melancolia índia,  Sabedoria pampeana, Sonoridade de vento e Juventude para ter CORAGEM.

Quando os valores da Pátria
renascerem do folclore,
talvez ainda me escore
num umbu mais varonil...
já não haverá fuzil
sim  - rebroto de raiz –
e a alma deste País
será mais índia BRASIL.  


Obrigado      Pedro Sá, Lucas Gross, Márcio Irala e Márcia Collares  o quinto elemento.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A l e r t a

         Foto Diego Goulart Muller


Há muito não me manifestava neste espaço que criei para realmente escrever o que o palco não me dá tempo de falar.

Muito aconteceu entre a última postagem. Planos e passos diferenciam a caminhada e a administração da vida.

Somos feitos de indagações e justamente as respostas podem ser destrutivas... ou, alimento dos sonhos.

Era urgente a necessidade de informar-me mais a fundo sobre a situação agropecuária no Sul do Brasil e seus efeitos diretos na cultura local.

Identifiquei-me nessa caminhada de estudos, que não pretendo mais parar,  mais naturalista que o tajã no banhado!!! E tão encorajado quanto Sepé nas atropeladas do Caiboaté.

A degradação da cultura da terra e de seus filhos produtores de espécies “adequadas ao meio” é voraz, sorrateira e implacável.  Seremos devorados em breve pelo descontrole do homem comercial, manipulado pelo consumismo GLOBALIZADO E EVIDENTE.

Nosso tempo não terá mais tempo.  O simples não existirá dando lugar ao simplório produto imediato e de difícil decomposição. Teremos que plantar o que tínhamos de graça.

TEREMOS QUE REZAR POR ÁGUA DANDO MÃOS E BOCA AOS CÉUS.

A riqueza plantada pela mão de Deus está sendo dessecada pelas mãos dos filhos de Deus. Uma espécie de traição familiar inconsciente.

Tenho muitos amigos pecuaristas de variadas histórias na origem e atual situação de luta. Vulneráveis, porém, aguerridos trabalhadores... sobre  o mesmo cavalo da gestão tradicional dos avós e tetravós.  E alguns, mais visionários, perseguidores do conhecimento, para reforçarem a munição nessa luta contra o desconhecido, forte e, às vezes, invisível inimigo.

Sem nenhum motivo para postar-me ético nesse espaço de andante soldado do CAMPO E CANTO NATIVO.

Escrevo meu alerta:


Tendo o luxo por sinuelo o homem desseca a terra
Perdeu o rumo da guerra... planta pro hoje ter sobra
Não vê nem crê na manobra que pra ter paz e ter luxo
Desseca o sangue gaúcho e um dia o tempo lhe cobra.

Tendo os cofres por sinuelo, o que não vejo ser mal
Desseca o sangue ancestral que há muito aflora sem guerra
A ambição do homem erra e um dia o neto com fome
Vai entender que seu nome matou o sangue da Terra.

E aqui estás filho dos ventos sem direito a renascer
Sem pendão pra florescer numa NAÇÂO GANADEIRA
Que se vende por inteira e deixa semear a guerra
No valor maior da terra que é luz, é vida e bandeira.

Então floresces no bolso que transborda o que tem sobra
Cruzeira mansa que é cobra e seu veneno quer luxo
Desseca todo o debuxo:  sorro, ganância e essência
Matando a paz da querência VALOR MAIOR DO GAÚCHO.

Plantem no más companheiros... eu me apeio e desencilho
Mas vou deixar pros meus filhos sentido de não ser corja
De Sorocaba a São Borja mulas e bois adubaram
Valores que não vingaram nos campos sujos de SOJA.


 Mais naturalista que o tajã no banhado!!! E tão encorajado quanto Sepé nas atropeladas do Caiboaté.