quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Tempo de Cada Um





Eu conheci Denisser Paz Dos Santos, era um guri feito eu...  que somente o tempo desenharia onde sua raiz o levaria
.
Amigo...  eu virei música! Tu és a arte da madeira...   os restos da história das estâncias que hão de enfeitar nossos ranchos na cidade. Seremos um museu a cada nova família que te pedir uma mesa de trama ou um banco de moerão.

Elas...   as estâncias, estarão gritando em um tempo que não soube cuidá-las... Nós estaremos em nosso mangrulho, vigiando o tempo... na esperança que a matéria prima de nossas artes voltem pra onde nunca deveriam ter saído:   

                                        O tempo delas.



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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Semente de Lua...

Attila Siqueira

 

 

 

De uma semente de lua  nasce o cantar de um tropeiro

que acende olhos noturnos para enxergar alma a dentro...

no céu escrito entre amores, na poesia dos ventos
e em toda a vida na estrada com seus presságios de tempo.

Apeio e componho as garras olhando a tropa que sente

porque meu canto de ronda tem um mistério inconsciente,
que aperto junto da cincha  - olhar de lua em semente -
e vejo que o campo é Deus  rondando a alma da gente!

Canto - semente de lua - pedindo luz pra viver...
...sorriso livre - entre a noite - que espera o sol  pra morrer...
canto de paz maternal - no olhar da lua redonda -
bebendo alma e sereno,  benzendo àquele que ronda ...

Talvez o próprio silêncio
respire junto ao meu mouro?
Que adormeceu sob as garras
suas virtudes de touro...
talvez  entenda - sonhando -
porque a  semente de lua,
que bebe a voz do sereno,
germina um canto charrua?
depois se funde ao orvalho
e sobre a tropa flutua...
...............................................

Escute a voz escondida
que mora  além da paisagem,
perceba, além desta imagem
que te oferece o silêncio!
Onde respira o que penso
a noite passeia nua
e sobre o campo flutua
na poesia dos ventos
pra germinar - alma a dentro -
 uma semente de lua...

Talvez o próprio silêncio
respire junto ao meu mouro?

Escute a voz escondida
que mora  além da paisagem,
perceba, além desta imagem
que te oferece o silêncio!

18 de Agosto de 2004

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Uma embarcação chamada PELOTA

Embarcação feita de couro de boi, de acordo com Debret



Uma Embarcação Chamada Pelota
Sabe o que é pelota? No sentido a ser usado nesta postagem, poderia ser definida como uma embarcação improvisada, feita geralmente de couro de boi. Quem a descreve com mais detalhes é Saint-Hilaire, que precisou servir-se de uma ao passar de uma margem a outra do rio Butuí. Ele é quem conta, com uma pitada de humor, a respeito da rabugice habitual:Um fato interessante é que Debret também deixou um registro desse tipo de embarcação, não em palavras, mas em uma bela imagem, que pode ser vista acima.

“ Ao nascer do dia, começamos a descarregar a carroça, e minhas bagagens passaram para uma piroga improvisada, tão em uso na Capitania de Montevidéu e Rio Grande, onde não há ponte.
...........................................................................................................................
É simplesmente um barco de couro cru ligado nas quatro pontas e que, desse modo... 
... enche-se a pelota de objetos e, ata-se nela uma corda ou tira de couro; um homem, a nado, prende a corda entre os dentes e faz passar assim a piroga. Para facilitar o trabalho meus homens estenderam uma corda de um lado a outro do rio, com a intenção de ajuda-los na travessia a nado.

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=433289#.T_Wy5uLqgiE.facebook

 

Travessia em Arroio Pelotas marcará aniversário de 200 anos da cidade


 

 

Quem vai por o peito n´água

Neste inverno onde me agravo?

Quem fará a vez do escravo

Na inclemência do tirano?

Tenho sugestões paisano:

Uns pra dentro outros pra fora

Certamente irão embora

Congelados rio a baixo

Pelotear? Coisa pra macho

Quem não é  - já se apavora.


 

Boia de cuia nos braço

Reforçados de heroísmo

Poesia pro nativismo

Que se olvida desta raça

Negro irmão meio a fumaça

Desta gente que não rema

Pelotear foi teu dilema

Na escuridão da charqueada

E nas costas da negrada

Gente grande nunca rema

 

Voto em muitos pra puxar

Outros tantos pro passeio

Gente longe dos arreio

Que desgastaram riquezas

Gente fina com certeza

Que ostentaram pratarias

E no inverno da poesia

Vão  botar o peito n´água

E relembrar muita mágoa

Que a pelota nos trazia.

 

Não me levem por Zumbi

No meu Palmar de improviso

Não saí do escravagismo

Na palavra -  acorrentado

Sou mais um negro soldado

Que ficou sem um tesouro

E este barquinho de couro

Que venceu água e distância

Deve descansar na ânsia

Dos negros que valem ouro.


 


Bueno então boa façanha

Até mais um centenário

Onde seremos lendários

Puxadores de pelota

Vou parar com esta lorota

Por ocioso é que eu caminho

Meu verso não tem espinho

É só uma dor que ainda chora

Por negro que eu vou embora

Quem quiser puxe o barquinho.

 


SAINT-HILAIRE, A. Viagem ao Rio Grande do Sul
Brasília: Senado Federal, 2002, p. 327
(**) DEBRET, J. B. Voyage Pittoresque et Historique au Brésil vol. 2
Paris: Firmin Didot Frères, 1835
(O original pertence à Brasiliana USP; a imagem foi levemente editada para facilitar a visualização.)





  

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Se assinam VENTO senhores

Entre as tantas histórias que renderão a passagem, no Rio Grande do Sul, das gravações do filme O Tempo e o Vento, um temporal positivo na vida de muitos (inclusive na minha) busco arquivar fatos e pessoas que se reuniram em tão pouco tempo na minha memória.  Ou seria há muito tempo?
Colhi contos de muitos figurantes que dispensavam figurinos e maquiagens. Cito, para dar exemplo, o inesquessível “Nelso” o domador que atuou como padre Jesuita, e 200 anos depois, atuou como Nelso o ele mesmo.
Rumo ao Oscar, segue até hoje o seu personagem no filme, ou melhor, na novela como acostumou chamar o longametragem. Mas isso fica para outro conto.

Hoje me deparei com uma postagem - no popular facebook  - que transcrevo para todos com: pergunta, foto e resposta.

Tenham uma boa semana.

Lisandro! Este paisano passou aqui na estância para descansar, como foi no final de semana e eu não tava, queria saber se conheces? Pois parece que é de Bagé ou Aceguá.  Deixou muitas histórias e poucas informações... só disse que estava vindo de herval e ia para Pelotas filmar (figurante) o tempo e o vento, se conheces esse gáucho me dá informações...gracias e saludos... (Luis Mascaranhas Neto)


Não sei se ajudo dizendo
Que pouco sei do andante...
Nada que sei é o bastante
Mesmo assim, sigo escrevendo.
Há muito anda vivendo
No ermo dos corredores
Preferiu os dissabores
Do pouso incerto e da sina
Deixou crescer toda a crina
E assina “Jorge” senhores.

Um dia encilha a gateada
Mais cuidada que a melena
Noutro o mouro torena
Pelo da noite gelada
Não anda de madrugada
Pra não sofrer seus sabores
Há muito que os sonhadores
Imitam feitos e sinas
Deixam crescer toda a crina
E buscam rumos senhores

Pra onde vai o andarilho?
Pergunta que não carece.
Pergunta que não merece
E resposta que não encilho.
Jorge é mais um destes filhos
No colo dos corredores
Que escolheu mamar nas flores
Que o mundo deixou sem pai
E se ele sabe aonde vai
Pouco me importa senhores.

O conheci chimarreando
Lá no banhado dos Blanco
Buenacho em prosa de banco
Sempre os pingo rasqueteando
Fronteiriço e meditando
O rumo, as luas e as cores
Compromissos são amores
Que o tempo deixa no más
Quem pensa sonha pra trás
“Jorge não sonha senhores”

Não o vi de figurante
Ou melhor, vi sua figura
Ilustrada criatura
Ao melhor jeito do andante...
lapidado diamante
- não erra nunca a doutores -
Disfarçado entre os atores,
Comeu bem e deu risada.
Cruzou por mim na gateada
Mouro de tiro -  senhores.

Pra onde vai sem escolta?
O que eu sei que é de confiança
Rastro gateado de herança,
Rastro mouro que se solta...
O vento e o tempo que volta
Veríssimo em dissabores
Licurgos em seus valores
Luzias loucas insanas
São Cambarás sem Bibianas
Se assinam VENTO senhores.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A alma inteira por nós


foto Marco Peres


Aguardem que sopra o vento
 e me empurra além de mim...
todos  que são de onde vim,
irão pra onde eu alcanço
e neste passo que eu danço
há uma luta interior
desde que nasci cantor,
tudo que busco é por nós...
jamais estaremos sós
quando soprar tempo e vento
e o que eu não tenho em talento
 busco na alma da voz.

Há uma luz primitiva
no olhar do sol do guerreiro
“couro de potro ao sombreiro
seu toldo índio em combate”
eu já cruzei pelo embate
que poderia cair
e preferi prosseguir
pelos soldados que tenho
todos estão neste empenho
de pampeana ideologia
e quando encilho de dia
é que ainda sei de onde venho.

Ame a calhandra que voa,
ame o umbu soberano;
almeje o solo minuano
no culto ao pasto nativo.
O tempo é o vento onde piso
e o que ficou em palavra
é o que  a história nos lavra
e repetimos por nós.
Nunca estaremos a sós
enquanto formos guerreiros
couro de potro ao sombreiro
na alma antiga da voz.


Couro de potro ao sombreiro e a alma inteira por nós .

sexta-feira, 30 de março de 2012

Peregrinando



Cruz aberta oferta o abraço que precisas...
teu sorriso atento à luz da tempestade.
Aqui é a vida e não além da vida
deveremos crer na luz da eternidade

Um peregrino diz pra sempre em meio às flores
que é ali que mora a paz que sonoriza...
caminha e segue atento à luz das almas
e caminhando erra e aprende o tanto que precisa

Amar o amor em cada um que habita em ti,
sonhar bem mais que andar, com luz e florescer,
tu que és de tempo e estás semeando luz,
e assim faz jus de ser feliz e renascer...

És a mãe que  teima e sabe do sem fim das horas
em que viver tornou-se paz para sorrir
e peregrina  crê na luz maior das almas
caminha - em pedra  - e traz na fé o prosseguir.








            Força aos que acreditam na luz da cura...
           Paz aos que sofrem a enfermidade sem fé...
                      coragem aos que caminham -
                       peregrinos...eternos peregrinos.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Obrigado. Érico Veríssimo


 

  















Milonga de Tempo e Vento


Transportei-me ao tempo largo
dos tribais e tolderias
Poder que tem a poesia
De ir onde a alma implora,
Alma que vem e que chora
- Com saudade do seu tempo -
É a mesma alma do vento
Que nunca sabe onde mora...

Desencilhar - tempo novo-
É acordar primavera,
Ressuscitar  as taperas
Quinchadas pela existência...
É despertar muita ausência
E andar sovando badana
Numa milonga pampeana
- Saber a voz da querência  -

Vejo a luz da minha estrada
Refletir na estrela antiga
Do meu picaço que abriga
Florão de lua na fronte
E sabe dos meus repontes
Por andar há muito tempo
Seguindo o rumo do vento
Que sopra os meus horizontes

E aqui estou - tempo velho -
Cruzando o portal da vida....
Quem sonha buscar guarida
Sabe os motivos que imploro,
Sabe dos versos que choro
Com  saudade do meu tempo
Por ter a alma do vento
Também não sei onde moro...

Porém eu sei dos andantes,
Suas almas e seus medos,
Das lágrimas e segredos
Que habitam as madrugadas
Porque a vida  é uma estrada,
Passo-a-passo pelo vento,
Onde só a mão do tempo
Sabe o fim da caminhada...


 6 de outubro de 2000