quinta-feira, 22 de março de 2012

Obrigado. Érico Veríssimo


 

  















Milonga de Tempo e Vento


Transportei-me ao tempo largo
dos tribais e tolderias
Poder que tem a poesia
De ir onde a alma implora,
Alma que vem e que chora
- Com saudade do seu tempo -
É a mesma alma do vento
Que nunca sabe onde mora...

Desencilhar - tempo novo-
É acordar primavera,
Ressuscitar  as taperas
Quinchadas pela existência...
É despertar muita ausência
E andar sovando badana
Numa milonga pampeana
- Saber a voz da querência  -

Vejo a luz da minha estrada
Refletir na estrela antiga
Do meu picaço que abriga
Florão de lua na fronte
E sabe dos meus repontes
Por andar há muito tempo
Seguindo o rumo do vento
Que sopra os meus horizontes

E aqui estou - tempo velho -
Cruzando o portal da vida....
Quem sonha buscar guarida
Sabe os motivos que imploro,
Sabe dos versos que choro
Com  saudade do meu tempo
Por ter a alma do vento
Também não sei onde moro...

Porém eu sei dos andantes,
Suas almas e seus medos,
Das lágrimas e segredos
Que habitam as madrugadas
Porque a vida  é uma estrada,
Passo-a-passo pelo vento,
Onde só a mão do tempo
Sabe o fim da caminhada...


 6 de outubro de 2000



4 comentários:

  1. Nada é por acaso meu hermano amado!!

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  2. Que o tempo e o vento te traga muita alegria,sucesso e realizações.E não esquece,nada é por acaso,tudo está escrito.

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  3. José G. C. da Silva31 de março de 2012 18:31

    essa musica aí...não teria como "continuação" a do Picaço Oveiro? me pareceu que sim porque no Picaço Oveiro parece que o sujeito conheceu que aquele cavalo foi dele na "outra passada".
    é ou não?

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  4. Uma das tantas músicas da tua autoria que marcou e me ensinou a absorver a singeleza dos versos.. muito sucesso por essa trajetória. Abraço Lisandro

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