quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Carta aberta ao menino Thomas Machado


"A Paz em nós nasce da compreensão em serviço e, é mantida pela tolerância com os erros alheios e até pela auto- aceitação dos nossos próprios erros, de modo a sabermos corrigi-los sem tumulto e perda de tempo." 
(autor desconhecido)
  
O que mais importa neste instante és tu, pequeno cantor. Nada em nós vale mais que tua serenidade e inocência.  Quando chegastes humilde atrás da gaita, eu e meus filhos, esperávamos ansiosos teu canto.

Surpreendido por te ouvir cantando Beijinho Doce do paulista João Alves dos Santos e não Querência Amada do Teixeirinha ou quem sabe Céu Sol Sul Terra e Cor do Leonardo, tive a reação emocionada de ser-humano que, na maioria das vezes, altera os nervos e grita o que pensa sem imaginar as consequências.  

Quando cresceres entenderás melhor estes surtos dos adultos descontrolados e chatos feito eu.
         No dia do teu canto na tv, minha querida filha de dez anos que é da tua tribo - sábia e evoluída na bondade da infância, me aconselhou a não me manifestar na emoção das palavras que  seriam agressivas a ti naquele momento onde o Brasil sorria a tua glória.

      Jamais teria esse direito que só Deus tem e nunca usa contra seus filhos.  E quem sou eu para julgar meu querido guri?

   Nunca, Thomas e família quis ofender tua formação musical, que percorre o Brasil sonoro indo de Asa Branca do Luiz Gonzaga à última Lembrança do Luiz Menezes.
   
      No dia 22 de fevereiro recebi um email de um repórter conhecido por suas materias valorizando o tradicional do sul e, nesse email detalhava que eu fotografei a tv quando mostraram tu cantando e disseram que Beijinho Doce Era daqui. Realmente  escrevi na foto que não era daqui. (não é que virei Jesus) e os pregos doem muito quando distorcem a história amigo Thomas. Eu estaria te atacando por inveja e outros sentimentos malignos.
Ora ora meu guri gaiteiro, nunca gostei muito de ir na tv, embora já tenha ido inúmeras vezes.  Gosto mesmo é de andar a cavalo e ainda vou domar um pra ti vir um dia correr vaca com meus filhos em Bagé. Que te parece?

Quando consegui o contato e, por telefone, conversei com tua querida mãe imaginando que o protesto evidenciado pelo profissional repórter, não abordava só minha atitude de dizer que Beijinho Doce não é daqui, e sim era pra corrigir um erro de reportagem. Pois penso que Gildo de Freitas não gostaria que dissessem que Definição do Grito foi feita por um querido irmão mineiro né? Coisas de artista protegendo sua obra, vais entender isso também.

Meu querido Thomas, nunca neste mundo pensei em te usar para promover meu nome, e quem me conhece mesmo sabe disso. Que Deus ilumine tua caminhada e o tempo alivie tudo.
Aceite meu pedido de desculpas por esse perigoso mal entendido e: 



                                        foto extraída do facebook




domingo, 25 de dezembro de 2016

Está de Volta o Andante





                                                                          foto L. Amaral
Está de volta o andante
Das canções inacabadas
Da poética orvalhada
Que pinga do tirador,
Das barrigueira ao fiador
“piguelos” em serenata
Não teve pilchas de prata
E preferiu ser cantor

E está mais forte o soldado
Com baioneta palavra
Quem nasceu pra sina escrava
Vai se ajoelhar pro “coimero”
O meu tino de ponteiro
Grita se é hora de grito
Mas, quando pensa ao tranquito
Tem mais valor o tropeiro.

Nasci pra o mimo materno
E desmamei matrereando
Depois de andar escutando
Cantores deste lugar
Eu preferi pelechar,
Escondido entre a macega.
Campo que tem pega-pega
Deve ter som pra escutar.

Sempre pensei muy pequeno...
Se tenho sombra, sesteio.
Na água limpa me apeio
E onde hay bagual recarrego.
Que tenho vícios? Não nego.
Energias que alimentam
E os cantos suaves que ventam
Transformo em verso e entrego.

 Está de volta o andante
Curandeiro de si mesmo
O jujo bom é o torresmo
Queimado na campereada
E se a palavra anda afiada
O corte cura ao tranquito
Quem tem medo do meu grito
Vai cabrestear na tropeada

Das histórias dos avós
Guardei as mãos calejadas,
O cafuné nas sesteadas
Antes de ser dos caminhos
O sangue pinga de espinhos
Nas chagas de domador
E se eu nasci pra cantor
Por ser da estrada caminho.

E assim me fiz cancioneiro
Do verso do campo afora
Quando meu povo ainda chora
A mutação pastoril
Acorda sentindo frio
E dorme com sede e fome
Pra alimentar sobrenomes
Que te anarquizam Brasil

Se vou morrer de saudade
Que parta cantando gente
Regando a velha semente
Que assim germina  garganta
No pasto que se levanta
Na alma de outro guri
Valerá nascer aqui
Memorial Terra que Canta.

25 dez. 16
A melodia está na página do facebook


terça-feira, 19 de abril de 2016

A flecha voltou aos ventos




A flecha volto aos ventos
das mãos dos índios de agora...
quem seremos campo a fora
quando as tribos dizimadas
andarem pelas estradas
mendigando pão e luz?
seremos filhos da cruz
ou do Cristo coroado?
um a um crucificados
pela dor que nos conduz.

Politicamente insanos,
ovelhas seguindo o guia
quem é o líder do dia?
disse SIM ou disse NÃO?
nada vale o teu perdão
pedófilo cultural
que estupra o valor moral
da juventude inocente
que morre sem ser semente
do Brasil que é imortal


A flecha voltou aos ares
nas mãos dos inconsequentes
cospem na cara da gente
 - impotentes... e acampados
índios sem flechas... castrados
da força que vem da terra
há uma lei que nos encerra
na taba dos infelizes
dessecaram as raízes
estamos fora da guerra

Ora ao Pai irmão do tempo
há de vir a tempestade
há de chegar a verdade
da boa nova do Céu
há de ir pras leis o réu
dos insultos deste NÃO
SIM ao bem de um novo irmão
que dirá NÃO a baderna
por que Deus é quem governa
o futuro da NAÇÃO

a flecha voltou ao ar...
somos índios deste tempo
e quanto mais sopra o vento
mais força temos pra voar.




eduquem seus filhos... nada lá nos representa.








 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Meus Cavalos em Grafite


             Quando no ano de 2013 fui cantar em Alegrete, fui apresentado ao paranaense José Hugo Camargo, identificava um rápido desenhista inspirado nos movimentos dos criatórios de cavalos crioulos. 

Desde lá, até aqui, e sem medo da afirmação: “eternamente” identifico um amigo. Sua humildade, percepção e criatividade gauchesca o fazem eterno quando se esvai na poética do grafite.

Um dia me enviou a primeira imagem de um dos cavalos personagens de minhas músicas. Carimbava-se ali a minha lenta percepção de que pessoas são bem mais do que vemos no primeiro encontro.

Vamos estar juntos em Esteio. Eu, na pretensão de desenhar na voz os cavalos do “Rabisco” seu apelido para os mais chegados,  ele a cantar com o lápis os cavalos do Amaral.

Obrigado irmão te vejo em Esteio 29 de agosto de 2015 - 


 A Exposição Meus Cavalos em Grafite




29 de Agosto à partir das 11 horas 
Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio
Restaurante do Núcleo da 6ª. Região
ás 21 horas - Exposição musical - Lisandro Amaral e Grupo Curandeiro Silêncio

Participação especial de Raul Sartor Filho - Artesania Crioula    
          



Os dedos da alma materializando sonhos de prata e ouro.
 Onde o Raul vê poesia,  mortais enxergam só couro, ouro e prata.


  

Meus Cavalos em Grafite

                    

               por José Hugo Camargo



La Madrina Gargantilla
Pra Luzir Nas Serenatas


E Este Baio Um Bronze Antigo Pechador
Tinha Nome de Tenente
Há Muito Espera Escarvando

Desencarna Um Parilheiro
                                                          Patrão Aproveito Esta Leva

Reserve o seu pelo email josehugo.camargo@hotmail.com

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Diamante



Quantos pingos pela rédea e redomões no cabresto...
quantos goles com pretexto de engolir lua  e estrada...
um dia, na madrugada, te encontrei  alvorotado
dei um abraço apertado e não falastes mais nada.

Amigo eu te perdoo, se é que tenho esse direito...
o golpe que deste ao peito dos que te amam é duro!
E eu, que também me procuro, compreendo e não aceito
o soco é nó junto ao peito... seguimos todos no escuro.

Calou a espora do ginete Dilmar Soares,
vento nos ares de um silêncio congelado...
no descampado vaga um tigre sem costeio
dorme um arreio no triste galpão nublado.

Nascem perguntas... morrem todas junto a ti
que muito eu vi num conflito caminhante
do diamante bruto e pouco lapidado
vai um soldado cego e surdo e sim DIAMANTE.

Que os anjos sábios te recolham ensinando...
que aqui - vagando - é que o homem se refaz
a terra traz o que o céu somente ensina
quem determina é o livre - arbítrio em reza e paz.

Vai ao encontro prematuro dos que ensinam
e determinam a justiça em luz contida
busca a guarida o homem rude-  em si - perdido
mais dolorido pelo nó que atou na vida.

Quantos pingos pela rédea e redomões no cabresto...
quantos goles com pretexto de engolir lua  e estrada...

Um dia na madrugada te encontrei  alvorotado
Te dei conselho abraçado e não falastes mais nada.









sexta-feira, 12 de junho de 2015

Não há razão para cifras $$$ no dia dos namorados








Aos que planejam a dois...
O mundo multiplicado
Percebam na paz das almas
O amor elo sagrado...
Presenteiem com silêncio
O que há de ser gritado...
Não há razão para cifras $$$
No dia dos namorados.

Eu aceito estar comigo
Pé torto pro meu calçado...
Amo a Deus mais que a mim mesmo
Depois me entendo ajustado
Nos meus piores defeitos
Um mistério - elo sagrado -
Troquei alianças com a vida
E hoje estou enamorado.


Não há razão para cifras $$$
No dia dos namorados.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

A Escritura dos Pés


                                                          imagem autor desconhecido

Um dia me perguntei quem eu era e onde vou?
Respondeu-me o infinito que nascendo ainda estou.
Outro dia perguntei pra onde irei após ser?
Responderam-me os que sabem que é tempo de renascer.

E eu segui perguntando por inseguro de mim
De onde viemos... quem somos??? Qual será o nosso fim?
Uma voz sem voz me disse: preste atenção no que chora
E verás que és bem maior que a morte que em ti demora.

São perguntas e respostas que nos preenchem o nada
De que vale o além vida se ainda estamos na estrada?
Imaturos peregrinos... na ansiedade do saber
De onde viemos, pra onde vamos... nada vale sem viver.

Não pense nada de mim, não interessa quem sou.
E sim que passei sorrindo onde tu também passou
De nada vale saber pra onde vais nem quem és

Se apenas frias pegadas escreveram os teus pés.